sábado, setembro 23, 2006

Uia, faz algum tempo que não tenho casos novos (i.e., de gente que tem o diagnóstico há pouco tempo) de HIV. Parece que meu consultório reflete a relativa estabilização na taxa de incidência da doença em nosso país, e também a maior sobrevida que os doentes têm - o que acaba diluindo um pouco esses novos casos. Hoje atendi um paciente que tem o diagnóstico há poucos anos mas nem precisou começar a tomar os antivirais ainda. Que diferença dos primeiros anos! Aliás acho que não tenho mais nem um paciente vivo daquela época, quando não havia ainda o "coquetel" com os inibidores de protease, e as outras medidas de suporte também não eram tão bem desenolvidas.
Hoje fui cortar o cabelo e caí no conto da queratina. Eu sei que essa cremaiada que se passa no cabelo serve pra quase nada, porque o fio de cabelo é uma estrutura proteica, com pouca água, e que já nasce "pronto" da raiz, sendo pouco suscetível à ação de agentes externos. Sei tb que essas fórmulas que se usam, essas loções caríssimas, são enxaguados com a água no primeiro banho. Acontece que fui cortar o cabelo hoje no lugar de costume, mas o sujeito que me corta já tinha ido embora. Achei um salão perto, que cobrava ainda mais barato, e entrei cheio de amor.
A mulher que me atendeu começou a falar um monte enquanto passava aquelas coisas no meu cabelo e me hipnotizava com uma massagem no couro cabeludo. Penso agora que podem até por querosene no meu cabelo que eu não reclamo, se vier acompanhado de uma boa massagem. Toalha quente daqui, creme fedido de lá, até que fui parar embaixo da tesoura - o que foi rapidíssimo, aliás, porque tenho um fiapo de cabelo. No começo do processo eu perguntei quanto custaria, e a mulher respondeu sorrindo que faria um preço bacana pra eu ficar freguês e tal.
É claro que ao final ficou quase 200 paus, mas aí eu já estava com o cabelo todo grudado com aquela pajelança. Paguei e saí bufando. Otário, quem mandou.

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