Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, setembro 09, 2009

Ontem sem querer li um spoiler sobre o "District 9", dammit. Foi num jornal norte-americano, suponho que para eles seja old news. Em todo caso, o sujeito nem estava dedicado a fazer propriamente uma crítica sobre o filme, mas comentar um aspecto dele que interessava para o que estava escrevendo. Bem, agora já foi.
O pai de todos os spoilers - que fez história na imprensa brasileira - foi produzido por aquele jornal idiota, a Folha, há muitos anos. Pode fazer décadas, não me esqueço da estupidez deles. Lembram-se do mistério sobre quem matou Odete Roitman Laura Palmer em Twin Peaks? Estava todo mundo na torcida pra descobrir, era uma delícia seguir os episódios daquela obra-prima e tentar resolver o crime. Todo mundo sabia que nos EUA o crime já havia sido desvendado porque a série estava bem mais adiantada, mas era ÓBVIO que ninguém queria buscar a informação. Não era óbvio para a Folha, que naquele afã que sempre lhes foi característico de tentar mostrar que sabem de tudo, que têm a reserva de todo o conhecimento sobre o que é legal, contou tudo sem avisar que no final daquele texto estava o spoiler.
Não tem nada mais caipira do que isso, parece aquele parente pobre que nunca tinha andado de avião e agora fala com familiaridade sobre Nova Iorque como se fosse o quintal de sua casa, só porque conseguiu embarcar numa excursão.
Acho que devia fazer mais propaganda aqui de gente que nos serve bem e nos deixa contente, e menos de quem nos aporrinha, mas como os primeiros estão em desesperadora inferioridade numérica...

segunda-feira, maio 11, 2009


Não sou muito pródigo em risadas - minha especialidade é a cara feia - mas ri bastante com o King Julien, de Madagascar, no final de semana. Seu personagem no segundo filme da série é um dos melhores que já vi no cinema. E não vale torcer o nariz alegando que ele é desenho, porque ficção é ficção. Han Solo, que provavelmente ocupava o primeiro posto, também é tão falso como uma nota de 3 reais. Nada que desabone o lêmure genial, portanto.
Ele tem aquela autenticidade completamente desprovida de escrúpulos e pruridos morais, que funciona como um espelho, para que possamos processar e digerir nossas culpas, mas não é só isso. Ele é ENGRAÇADO mesmo, como nenhum outro personagem de que consiga me lembrar. O jeito como acaria a cabeça da girafa hipocondríaca, dando conselhos sobre como conquistar sua amada, não me sai da cabeça. A dança que faz ao pular de dentro do bolo de saiote e maracas também, e ainda o jeito como reclama dos pobres, na primeira classe do avião para Nova York. Por favor, não percam.

domingo, março 08, 2009

Escutava a Rádio Educativa agora, enquanto fazia frango com quiabo. Acreditam que o Flávio Venturini - sim, ele mesmo, ele ainda toca nesta FM - cantava assim: "Por que é que o beija-flor tem o azul da cooor do maaaaar?". Acham pouco? Pois a seguir vem "Vai dizer ao meu amoooor". Não dá, viu... o frango até ficou duro.
Ei, falaram que a onda de calor iria embora hoje. Por aqui está um forno, e por aí?
Ontem à noite (a única parte do dia em que dá pra ficar sentado em frente à TV neste calor) assisti a The Objective, do diretor que fez, e escreveu também, The Blair Witch Project. Aliás, apesar de ser um thriller sobre gente que procura UFOs (e, portanto, diametralmente oposto ao roteiro do outro, em que estudantes ficam escarafunchando o passado), há muitos pontos em paralelo, como a sensação que os personagens têm (e a gente, por tabela), de terem sido jogados no meio de um mistério que é um novelo sem ponta pra desenrolar. O que funciona muitíssimo bem no primeiro eu também acho que ele repete aqui, que é o ritmo do roteiro/suspense. Tarefa dificílima essa; é bem fácil a gente se cansar da dúvida que é proposta no meio de muitos filmes de suspense. Pois esse diretor consegue, não sei como, fazer o interesse da gente só aumentar, mas de uma maneira controlada. Nota 10. Com o anti-clímax do final e tudo.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Fatos da vida:
1) Sim, há um meio de desbloquear o Blu-Ray player bacana da Panasonic que comprei (segundo os fóruns que li por aí, esta é a melhor marca disponível no nosso mercado, ok? E os preços não diferem tanto assim) pra tocar DVDs de tods as regiões. Aliás, atualmente há 2. Pode-se digitar um código enoooorme através do controle remoto, apontando para o aparelho; o pobrema é que tem uma LETRA no meio do código, então tem que arranjar um remoto especial - como o Pronto, da Philips, que custa caríssimo, ou o seu palm-top na função de controle remoto. Tem que baixar um arquivo do tipo CCF, tirar um litro de sangue, esperar a lua cheia e o vento oeste.
Pode-se ainda comprar um remoto descartável por 20 libras num site da Inglaterra, vejam que baixaria, e apenas apertá-lo em direção ao seu aparelho. Ele vai transmitir o que se deseja e nunca mais funcionar, porque tem uma instrução (comando) dentro pra impedir que funcione de novo. Só falta ele explodir na sua mão, ou soltar fumacinha como no seriado Missão Impossível. Eles ainda têm a cara-de-pau de dizer que se preocupam com o meio ambiente e que encorajam a reciclagem - pedindo pra mandar de volta a traquitana usada, claro.
2) Provavelmente não teremos que recorrer a esses sortilégios pra assistir a Blu-Rays, porque eles re-dividiram o mundo em regiões pra essa nova mídia, e ficamos na mesma região dos EUA, glória total.
Aproveitei e assisti aos filmes da trilogia O Senhor Dos Anéis no feriado (exceto o segundo, porque de alguma maneira tenho um exemplar australiano do As Duas Torres, e ainda não comprei o controle remoto que explode), e só fiquei mais melancólico. Porque vivemos num tempo em que se alguém falar em compromisso e sacrifício leva um processo judicial nas costas. Em tempos de culto ao ego essas coisas soam como perversão, e não como virtude. Época triste, em que o amor está esfriando, como diz a Bíblia.

segunda-feira, novembro 03, 2008




O que é que Monteverdi e o filme The Mist têm em comum? Alguma opinião sobre os desígnios humanos, sobre a capacidade do homem de realizar coisas e ordenar o mundo.
Eu disse alguma opinião, mas não a mesma. Na verdade parecem ser diametralmente opostas. Já comentei sobre Orfeo aqui - a ópera de 1607, provavelmente a primeira obra que pode ser chamada assim (de ópera), em que se ouve "Nulla impresa per uom si tenta invano", ou seja, nenhum empreendimento humano é feito em vão. É a música mais bonita que o bom Deus pôs na Terra, esqueçam todas as outras vezes em que eu já disse isso. A ironia é que este trecho é cantado por um coro, e tem um certo ar solene; uma vez, enquanto operava alguém, eu cantava esta parte baixinho, e a senhora que estava sendo operada comentou: "Que bonito, doutor, é algum hino?" Nada poderia estar mais longe da verdade, por tratar-se de um elogio ao homem, sem dar espaço ou louvor ao bom Deus, o Autor de tudo o que há de bom entre nós.
Pois esta letra sempre me incomodou um pouco com sua insolência, e o filme veio corrigir isto. É uma história descabelada do não menos descabelado Stephen King, com aranhas gigantes e tal, mas tem duas qualidades: a primeira é que o suspense funciona - grande parte pelo excelente desempenho dos atores; e a segunda, grandiosa, é o final, que expõe nossa incapacidade de planejar o bem, e mais ainda de executá-lo. É um final assombroso, inesperado, que lava a alma, mesmo com toda a amargura que traz. Não deixem de assistir, eu peço.
Em tempo: por favor, passem por cima do tom professoral de cenas como a do depósito, em que os personagens "explicam" a natureza humana, e da obviedade da pergunta "quem é mais monstro: os monstros ou nós?", que o diretor atira na nossa cara.