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domingo, junho 06, 2010

ulha, voltei. nem sei porque, viu. não ando tendo muito o que dizer, enquanto gente mais talentosa continua firme.
as coisas na clínica vão bem, graças a Deus, mas em casa não tanto. na casa de meus pais, quero dizer. agora é meu pai que está bem doente, a casa está caindo pro lado dele. já desmoronou quase toda, devo dizer. mas vamos em frente.
fui a uma audiência há poucos dias, levado por uma ação que a vaca da minha distinta ex-faxineira moveu contra mim. ela "encostou" pelo INSS de 2005 a 2009, e só pode fazer isso porque estava registrada direitinho, apesar de vir só 2 vezes por semana, o que nem caracterizava vínculo empregatício. depois de anos de moleza (podia trabalhar, mas alegava dor nos joelhos e tal) é claro que o INSS acordou e mandou-a mexer o corpinho. ela entrou com uma ação contra a minha pessoa humana pedindo pra ser ressarcida por todo esse tempo, como se tivesse estado em minha casa. nao levou, mas ainda nao posso nem ouvir o nome dela.
dia primeiro tenho que voltar ao juiz, desta vez numa vara criminal daqui. prestar depoimento como testemunha. pelo nome dos outros médicos arrolados, deve ser alguém que foi operado da cabeça e deve ter ficado sem enxergar, que está processando não-sei-quem (seu primeiro médico, provavelmente). devo ter fornecido uma segunda opinião, ou algo assim.
querem saber? quem me conhece sabe que em outros tempos eu ficaria uma pilha e tal, mas depois dos acontecimentos recentes eu ando mudando um pouco. há poucos meses fui depor em juízo também, num outro processo criminal contra alguém que falsificou uma assinatura minha num atestado (até exame grafotécnico na polícia eu fiz, vejam que coisa) e fui sozinho, sem advogado nem nada. ainda cheguei atrasado, hoho. ainda bem q a audiencia atrasou tambem.
pretendo bater meu proprio recorde no mes que vem - pela primeira vez nao vou nem saber dos dados do processo, ou das partes envolvidas, antes da hora. se querem meu testemunho, por que não se dao ao trabalho de falar destas coisas in advance, em vez de só mandar uma carta mal-educada? bah.

quinta-feira, novembro 26, 2009

ontem a dna. Lélia deu um es-can-da-lo na hora de operar (a catarata) e hoje tava toda sem graça, rindo de nervoso. ela dava umas gargalhadas à toa na consulta, enquanto o marido dizia que ela quase o deixou louco na última semana. chorava - de chorar, mesmo - todos os dias, e dizia que iria morrer e ficar cega. como tem gente louca, viu.
sábado tem casório. tenho que ir. vai estar calor, é claro. nao caibo mais no terno também. das últimas - sei lá, 5 - vezes que tive que usá-lo foi com o colarinho desabotoado pra não morrer esganado. isso significa que o nó da gravata ficava afrouxando e indo pro lado. o colarinho ficava mais escuro que o resto da camisa, por causa do suor que o encharcava. a calça também tem aquele outro botão que abotoa por dentro, que não dá margem a nem cem gramas a mais de barriga. agora fico imaginando quanto tempo faz que o comprei (aliás me ensinaram que é costume, e não terno, por alguma razão), e deve fazer uma eternidade. porque faz bastaaaante tempo que me tornei rotundo como um Baco.
vai ter festa no clube bacana, e vou encontrar o lado divertido da família, vai ser bárbaro.
outro dia eu disse que algo era bárbaro e meu interlocutor me perguntou o que é isso. o mundo está acabando, digo todos os dias.

quarta-feira, novembro 25, 2009

meu mundo tá caindo lá na clínica. quando era pequeno eu via meus pais resolvendo as coisas e pensava: por que é que eles trazem tantos problemas sobre si? quando crescer vou fazer diferente.
ha. sou um magneto de problemas. e prefiro pensar que todos são também, senão deve
haver algo muito errado comigo, raios.
nada incontornável, mas o dia-a-dia de uma clínica que atende um monte de gente doente pode trazer uma quantidade de desafios que voces nao imaginam. é lente de contato que nao chega, colírio que nao abaixa a pressao do olho como deveria, idoso que chora, adolescente agressiva. funcionária de camisetinha e barriga pra fora que nao sabe onde pos o uniforme, vendedor de lente intra-ocular que tenta te roubar, e tudo o mais.
eu ia pra patagonia argentina no final do ano, mas tem um dia lá no meio da programaçao que nao dá. há uma caminhada até a base de uma montanha chamada Fitzroy, que leva o dia todo. a gente chega, tira umas fotos naquele vendaval ártico antártico e depois anda por mais uma hora e meia pra dormir em bar-ra-cas num lugar mais embaixo. sem água corrente, mind you; tem que tomar banho tcheco com a agua do cantil. porque la em cima nao tem hotel nem torneira, so vento mesmo. no dia seguinte, acorda-se fedendo e anda-se o dia todo até chegar ao hotel.
ja me falaram que é só um dia na vida, e que a memoria que vai me acompanhar pelo resto de meus dias vale mil vezes o pequeno sacrificio, mas agora não dá pra encarar sofrimento. precisaria de conforto 10 e stress 0 - e isso anda caro demais.
ei, por falar em viajar, vou me projetar nas águas do atlantico de novo, nao sei se ja contei. vou participar disto aqui, ó. vai um monte de amigo junto. vamos ver no que dá.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Pronto, estressei. Estou uma pilha, vou infartar. Viajo depois de amanhã, e já estou um caco.
Todas as pequenas operações que cercam a partida tornam-se um problema logístico de proporções bíblicas pra mim - como ligar pra administradora do Visa avisando q vou viajar, pegar o papelinho do seguro-saúde, preparar os eletrônicos de casa para o período de descanso, etc.
Parece lugar-comum, mas começo a sonhar, nos dias que antecedem a degola a viagem, que estou embarcando pelado, ou sem dinheiro, ou sem malas. Não tem nem graça interpretar um sonho desses.
Pois que seja, vai com stress e tudo.
As melhores lembranças não são da cidade onde meu irmão mora - apesar de ser adorável, um jardim a céu aberto, relativamente pequena mas próspera, e à beira-mar - e sim da cidade vista pela janela do carro deles, ou de andar na praia de baldinho na mão com eles, ou de sentar num restaurante temático com eles. Férias mesmo, com todas as letras maiúsculas. Emolduradas pelo cenário da praia, mas divertidas por causa deles.
Eles estão de volta pra cá, vou pra ajudar a fechar a casa. Se eles sairem do país de novo no futuro, será provavelmente para uma cidade gelada. Estou de luto pelo lugar de férias que não terei mais, e que aproveitei tão pouco, bah.

domingo, setembro 27, 2009

Essa história de Honduras, aiai... daqui a uns dias, quando tudo estiver resolvido pelo curso implacável da entropia - esta sim, o grande motor das coisas abaixo do Equador - ninguém mais vai se lembrar daquele país. Dá um gosto desagradável de coisa mal feita e mal resolvida, mas esse é o gosto de tudo por aqui, bah.
O que me alegrou no final de semana foi a musga nova do Owl City, toda nhenhenhem. O cara fala que os vagalumes estavam tentando ensiná-lo a dançar, vejam só que mimo. E que ficou com os olhos cheios d'água quando teve que se despedir deles, ha.
"A foxtrot above my head, a sockhop beneath my bed", esta é a frase. Porque todo o resto às vezes dá uma canseira, viu...
Acabei de saber que o Roman Polanski foi preso, uau. Ele saiu correndo dos EUA durante um período de liberdade provisória em 1978 - na verdade, durante uma bobeada das autoridades - e nunca mais voltou. Aparentemente não sabia que há um tratado de extradição entre a Suíça (muito neutra, hein?) e os EUA, e foi a Zurique receber um prêmio. Deve estar se remoendo agora.

terça-feira, setembro 08, 2009

A Vanusa, que aniquilou/reinventou o Hino Nacional há poucos dias, tem ao menos mais uma obra-prima: antes de vocês nascerem ela cantava uma música (não sei o nome) que dizia:
"Hooooje eu vou mudaaaaaaaar,
Vasculhaaaaaaaar minhas gaveeeeetaaaaaaaas...", não sei se alguém aqui já ouviu.
Pois bem, hoje eu mudei. Cumpri minha ameaça, e o mundo se privará de mais uma estrela no firmamento do triatlo. Passei pro treino de natação de águas abertas, pra ficar mais tempo com meus paizinhos. A coisa tá meio preta por lá. E por falar nisso, hoje assobiei devagarzinho um hino querido da minha infância pra minha mãe, e ao final ela sorriu e disse "bonito" (ela não fala quase nada). Sem pieguice, quero dizer que alegrias desse tamanhinho dão uma medida de nossa real estatura, em contraste com o que achamos que somos. E creiam-me, é uma alegria de bom tamanho.
Maaaaaaas, voltando ao primeiro assunto do post, hoje foi difícil. Podem dizer que estou exagerando ao fazer tanta coisa de um mero treino de natação, mas pra quem leva uma vida relativamente simples como a minha, o treino é uma parte importante. Eu mudei pra outra raia, na mesma piscina e no mesmo horário, mas com outro treinador. Tive uma longa conversa com minha (agora ex-) treinadora antes, e ela foi muito generosa, o que facilitou as coisas. Mas toda hora eu olhava pro lado, e me arrependia de não estar com eles. Bah. Achei que aquilo não iria acabar nunca, e me sentia como se nunca tivesse nadado antes. É impressionante como criamos laços para nos sentirmos seguros, e a falta que podem nos fazer mesmo em atividades que deveriam ser recreativas e divertidas. Living and learning, como dizem os Cardigans.

quinta-feira, julho 23, 2009

Bem, o P. Gabriel - que faz música brega, aliás - disse numa música muito antiga que "the time I like is the rush hour, cause I like the rush".
Não sei se ele vive num universo paralelo ou o quê, pois não sei como alguém pode dizer isso. Hoje eu voltava pra casa na D. Pedro durante a chuva, e apesar de não ser um trajeto longo até minha casa (uns 20 minutos, no máximo), eu contava os segundos, e não os minutos, pra coisa acabar. DETESTO dirigir, e isso só tem piorado. Jogamos a civilidade (sim, eu inclusive) pela janela e mostramos o que temos de pior nessa hora.
Se alguém está lendo isso e discorda, beware: você é minoria absoluta no trânsito.

segunda-feira, julho 20, 2009

Minha empregada tem um carro, um Monza, que ela chama de "Monza 30". É porque ele é um pau véio tão desregulado que tem que parar a cada posto do caminho pra por 30 reais.
Mudando de assunto, vou contar um segredinho. Sabe as milhares, ou milhões de doses de Tamiflu, que o Temporão diz que tem nos hospitais de referência pra tratar a H1N1? Pois é, aqui no HC não tem.
Como disse outro dia, vamos todos morrrreeeeeeeeeerrrrrr!!!

quinta-feira, julho 16, 2009

6% dos norte-americanos não acreditam que o homem pousou na Lua, segundo vi por aí. Gente disnorante, viu...
Se bem que até diria que eram mais.

terça-feira, julho 14, 2009

Os menores (leia-se marmanjos criminosos) internos na Fundação Casa (o novo nome da Febem) fizeram hoje uma coreografia imitando o Jacko. Como os presos filipinos, há não sei quanto tempo. Era pra achar bacana, né?
Pois hoje o dia foi tão pesado que não acho mais nada.
Uma moça de 36 anos perdeu o nenê na hora do parto porque ele morreu enforcado no cordão. Isto foi há alguns meses, mas ela veio hoje ao consultório porque a visão de um dos olhos está meio embaçada. Ela teve um entupimento da veia central da retina nesse olho, e babau. Perdeu forever. Provavelmente por causa dos hormônios que tomou nas últimas semanas, porque ela e a obstetra acharam que estava grávida de novo. Não estava, é claro. Só perdeu o olho.
Um outro paciente veio para fazer plástica de pálpebras, mas o que ele tem na verdade é uma paralisia de um nervo craniano que fez a pálpebra cair.
Ontem tive que eviscerar um cara (eviscerar é auto-explicativo, não?) que tomou um murro que fez o olho explodir como uma jaboticaba entre os dentes.
A semana começou mal. Vou nadar pra ver se ajuda.

domingo, julho 12, 2009

Oi, fui correr no frio e distendi a panturrilha. A mesma. De novo. Meu corpo está mudando rapidamente - ladeira abaixo, quero dizer - e ainda tenho certa dificuldade em interpretar os sinais que apontam para os seus limites.
Nessa semana passei uma carraspana em um senhor excepcionalmente amargo (como há muito não via) e que teve uma cirurgia de catarata excepcionalmente exitosa. Lembrei-o da bênção que é ter acesso a uma tecnologia tão moderna, ter sua visão restaurada sem dor, e etc. O homem no final me pediu desculpas por ser tão idiota reclamão, mas nem adiantou. Não me importo mais tanto, se quer saber.
O que está acontecendo comigo, céus? Não conheço mais meu corpo, nem tenho as reações que tinha antes quando me sentia desafiado. Raios, será que ainda piora muito? Com meus pais doentes, e mudando a olhos vistos a cada mês, esses pensamentos pairam como uma nuvem negra sobre minha casa.
Mas faz parte, I guess.
Como nem tudo são nuvens negras, tenho uma pequena alegria nesses dias. Sabe aquele estéreo novo (que até fez gente cantar "úúúúúú" junto com as músicas, num arroubo musical que faria Orfeu corar de vergonha) que comprei há pouco? Pois já sofreu um upgrade: criei coragem e comprei caixas acústicas novas deles. Estou que não me aguento. O que era bom ficou melhor ainda, e convido a todos pra virem aqui ouvir.
Ouvir, por exemplo, a Laurie Anderson cantando/falando:

"Look!
Over there!
It's Frank Sinatra
Sitting on a chair.
And he's blowing
Perfect smoke rings
Up into the aaaaiiiiiiir"

É impagável. E podem fazer "úúúúúúú" junto com ela, eu prometo que não rio.

quinta-feira, junho 18, 2009

Acabei de receber um imêiol com um "dicionário piracicabês", como se os verbetes fossem algo exótico e engraçado. Bem, é claro que devem ser pros paulistanos e outros ainda mais distantes, mas recebi o dito-cujo por um newsgroup de Campinas mesmo, e aqui se fala cotidianamente as tais coisas "engraçadas". Aqui falamos "tá ornando" quando algo é bonito ou está combinando, "fianco" pra algo que está meio de lado ou fora do prumo, e "reganhera" pra aquele sono depois da feijoada. Quando fazia residência em SP, sentia-me um apátrida. Durante a semana imitavam meu sotaque caipira daqui e aos finais de semana meu pai andava atrás de mim repetindo as palavras que eu dizia com um (suposto) sotaque paulistano, demorando pra falar os enes, como em "cinqueinnnnta". Pra falar a verdade acho esses regionalismos adoráveis (a menos que revelem só uma pobreza de linguagem), e tenho orgulho de falar assim.
Por falar em falar, hoje houve uma conversa duríssima no trabalho, com choro e ranger de dentes (o choro não foi meu, because I'm such a bad person, and incapable of such displays of emotion, as you all know, mas me senti péssimo nonetheless), como há muito não enfrentava. Hoje em dia isto tem um custo alto pra minha saúde - física, quero dizer - e portanto declarei um basta. Já esperneei, tentei conciliar e unir o grupo e deu no que deu. Pois não movo mais uma palha, que se virem agora. Meu torcicolo passou, saí do molho e voltei a treinar, e é isto o que me interessa. Dei risada com a molecada na piscina, parece que fui pra outro mundo. Graças a Deus por isso.

segunda-feira, junho 01, 2009

O jato da Air France que caiu sobre Fernando de Noronha ontem levava 228 pessoas a bordo. Foi atingido por um raio e babau. Não consigo nem imaginar o que os passageiros sentiram nos momentos que antecederam o choque, mas o filme "Cast Away", do Zemeckis, com o Tom Hanks, é bem horripilante nesta parte e acho que dá uma boa idéia. Uma tragédia.
O programa da Eliana Dagmar deu a notícia no rádio, entre um sorteio de uma pizza pré-assada e um frango resfriado, acreditem ou não. Pra falar a verdade, é um refrigério escutar programas assim, que evocam uma outra vida, quando éramos todos inocentes e ingênuos, etc., antes destes tempos sombrios de hoje. A Dona Zita lá da Vila Formosa manda um recado pro Bastião, e o seu Fulano manda um abraço pros netos, oferecendo uma moda de viola do Tião Carreiro e Pardinho. No botão ao lado no painel do rádio fica a Jovem Pan, com sua torrente medíocre que assassina a cultura, e ao seu lado a CBN, que nos traz de volta ao chão duro e frio.
Na 102 FM ouvi o dueto de "Até o Fim", do Chico Buarque, com o próprio e o Ney Matogrosso, que competiam pela pior interpretação vocal. O Chico é réu confesso, tendo declarado - nesta mesma canção, aliás - que tem um fiapo de voz, e ruim. O Ney, do alto de seu ego, acha que aquele timbre afetadíssimo deve agradar a todos. Ha. Ficaria até engraçado acompanhar a disputa, não fosse a melodia TÃO chata. E é o que tinha pra hoje no rádio.
Ei, vou disputar uma prova de 2 km no sábado numa represa em Jacareí, ou sei lá onde. Com este frio. Onde eu estava com a cabeça?

segunda-feira, maio 25, 2009


Oi, voltei. Tudo bem por aqui, thanks for asking. A dinâmica familiar mudou bastante, mas faz parte.
Hoje, a última segunda-feira de maio, é Memorial Day nos EUA, como sabem. A data também marcaria informalmente o início do verão, etc.
É impressionante como eles levam isso a sério, com homenagens a torto e a direito. Nada mais justo, penso eu, do que homenagear os que morreram pelo país. Não penso que teremos jamais algo parecido aqui, pois somos quase que totalmente desprovidos de espírito cívico, é o que acho. É sempre necessário lembrar nessas horas que não acho que eles sejam intrinsecamente melhores, é uma questão histórica e cultural, blá blá blá, mas é fato. Eles revivem a idéia de nação cada vez que fazem isto, enquanto aqui quase ninguém está preocupado em construir um país junto com os outros. É um Deus-nos-acuda, e cada um por si, que faria corar o mais empedernido dos egocêntricos.
Hoje, no HC, atendi um fulano que teve uma contusão ocular há TRÊS MESES e só foi atendido hoje. Orientei os residentes sobre isto e aquilo, mas na verdade depois de tanto tempo o olho está inconsertável e ele ficou cego desse lado. A gente sempre sente uma indignaçãozinha e pensa: puxa vida, por que ele não veio antes?
Daí a residente me contou que ele despencou do Maranhão, aquela wasteland de ninguém, que vive assolada pela miséria pela mão do clã Sarney desde tempos imemoriais, ASSIM QUE teve o acidente. Como tem parentes em Valinhos, tentou ser atendido por aqui. O que só aconteceu hoje.
Eu e você teríamos esperneado e conseguido ser atendidos há muito tempo, mas aquele pobre-diabo, que fala um português de 300 palavras e não tem a menor noção de nada, aceitou passivamente o que lhe falaram e esperou até hoje, quando ficou sabendo que não vai mais enxergar desse olho.
Sabe quando isto vai melhorar?
Nunca.

segunda-feira, abril 27, 2009


Fatos da Vida

Tem um lagarto na Am. do Norte que é venenosíssimo, chamado Monstro de Gila. Na verdade o monstro só chega até uns 60 cm, mas sua peçonha é uma neurotoxina muito potente, como a de uma cascavel. Não há registro de mortes pelo bicho, porque ele é lentíssimo. Mas ele morde e não larga; sua mordida causa uma dor horrorosa e é preciso submergi-lo para que solte a presa.
Uma das substâncias que compõem o veneno chama-se exendina-4, que desacelera poderosamente seu metabolismo e faz com que ele coma só 3 ou 4 vezes por ano. Provavelmente é um inibidor de apetite também, e mantém a glicemia do bicho baixa quando ele come. Vai daqui, vai dali, fizeram uma versão sintética chamada exenatide pra tratar diabete em humanos (ele age de maneira análoga a um hormônio que produzimos para ajudar o pâncreas na produção de insulina).
Fato da vida número 2: o pintor que está trabalhando aqui em casa sobe NO TELHADO para dormir depois do almoço. A Fátima (la schiava) disse que o outro pintor que esteve aqui há 2 anos, e que não tem nada a ver com este, tinha o mesmo hábito.

sexta-feira, abril 24, 2009

Estou lendo a biografia do Lacan, não estou entendendo naaaaaadaaaaa. Vou pegar uma frase qualquer, vejam só: "Donde a noção de processo: ela implica uma mudança na vida psíquica, ela escapa à relação de compreensão na medida em que explica de maneira racional o não-senso específico do delírio."
Peguei uma frase qualquer, juro. Não tive que escolher, porque o livro INTEIRO é assim.
Tinha que ser francês, é claro (a autora e o biografado, by the way). Têm um dom inato, aqueles malucos, de discorrer sobre literalmente qualquer assunto e aprofundar-se por horas em abstrações. Já disse e repito, sou como os ianomâmis: não tenho raciocínio abstrato. Já tinha caído nessa esparrela antes, quando comprei um livro do Eduardo Giannetti - este ainda mais impenetrável, uma selva de conceitos imateriais de dar desespero. E não aprendi a lição.
Ei, tenho uma pequena boa notícia: ontem minha mãe falou meu nome pela primeira vez desde o acidente :)

quinta-feira, abril 09, 2009

O Tim Maia tem uma música ótima chamada Festa de Santo Reis, que por um motivo insondável me passou despercebida até este dia. Aliás insondável coisa nenhuma, é porque detesto mesmo o que ele canta. Mas esta é bacana, e na voz da M. Monte ficou melhor ainda. Ia postar o vídeo aqui, mas como todos sabem está uma dureza navegar desde ontem, e parece que não é só em Campinas. Então vão ao youtube e oiçam, por favor. E lembrem-se de mim enquanto estiverem mexendo os pezinhos.
Acabo de voltar de um restaurante "japonês" daqui, desses que põem maionese no sushi e a-zei-to-na no polvo. Vou pular o comentário.
Vou ficar por aqui mesmo no feriado, porque não tenho dinheiro. Inventei de fazer um monte de coisa em casa, e agora estou vendendo o almoço pra comprar a janta. Pretendo correr, nadar e pedalar nesses dias. Se os astros estiverem favoráveis. Bom feriado a todos.

segunda-feira, abril 06, 2009

O Ministério da Saúde disse que só 16,4% dos brasileiros fazem atividades físicas. Entre as capitais, a do Tocantins, vejam só, é onde as pessoas se exercitam mais. A lanterna ficou com SP, é claro. Por outro lado, a Folha disse hoje que 13% de nossos compatriotas são obesos.

Acho que sou arrogante. Cheguei a esta brilhante conclusão há pouco, após anos de negação. Culpa de vocês. OK, não de vocês que me acompanham há pouco, mas de todos os outros. Sou mimado também, e sinto que as duas coisas andaram juntas. Precisava sentir que tem mais gente com opiniões e vontades ao meu redor, e que o que pensam conta também. Pelo menos neste aspecto tenho um ego fortalecido, e pra falar a verdade não me vejo mudando muito a esta altura. Pois que me aguentem, hoho.

quinta-feira, abril 02, 2009

Fui empurrar carrinho no supermercado. Sempre tem coisa nova pra dar risada, e hoje não foi diferente. A marca de sabão em pó Brilhante lançou dois novos sabores, o "Entusiasmo"e o "Autoconfiança". Não tenho palavras.
Comprei, não sei porque, uma garrafa disto aqui. Pelo que li na embalagem, parecia gostoso de tomar com gelo. Pois não é - na verdade é tão doce que desce raspando. Pus um pouco de cachaça junto pra disfarçar e inexplicavelmente ficou mais doce. Pelo menos não custa caro.

terça-feira, março 31, 2009

1 a 1 agora contra um time chamado Oeste, numa cidade chamada Itápolis. Tava bom demais.
Hoje rolou um stress na piscina de novo com aquele maluco de quem falei outro dia. Tô por um fio, viu. Tem também um monte de gente doente no meu pé na clínica, e fazem as exigências mais absurdas. Gente folgada com mais de 20 anos de diabetes que nunca tratou, e agora vem com os 2 pés no peito achando que eu sou obrigado. Quanto mais voce sorri e tenta ser educado, mais passa por otário. Não estou dando mais conta de ser civilizado, vai ver que nunca fui. Agora não era hora de ouvir Coco Rosie, porque acaba de f**** tudo, mas já foi. E Armageddon, do Noah's Ark (o segundo CD), me lavou a alma. Bem, não lavoooooou de verdade, mas deu uma enxaguadinha.