Olhaaaaa, saiu um vídeo novo da Lady Gaga, e já foi parar na capa do UOL e mais uns 3 outros sites de notícias. Zzzzzzzzzzzz. Pra falar a verdade, até que fui assistir. E adivinhem: óculos estranhos, roupas agarradas, gente também se agarrando e "se querendo" enquanto dança. Revolucionário, minha vida mudou.
Pelo menos a música é bem bacana. E engraçada também, porque apesar de se chamar "Alejandro" e repetir o nome do gajo à exaustão, também há no refrão espaço pra ela repetir toda vez os nomes "Fernando" e "Roberto".
Mudando de assunto, a muleta linguística da hora parece ser... o verbo "descartar".
O presidente da BP descarta deixar o cargo após o vazamento gigantesco. No futebol, no noticiário político, em todos os lugares as pessoas agora não mais ponderam, decidem ou recusam nada. Elas descartam e pronto. Todas, o tempo todo. Falta alguém com uma cabeça privilegiada estudar o sentido que isso tem para nós (menos pra mim, que atualmente deteeeeestoooo a palavra), o efeito que causa na cabeça do brasileiro quando ele fala ou ouve isso. É meio grosseiro e prepotente, as pessoas devem se sentir com mais poder quando a usam, ou sei lá o que. No exemplo que dei, me parece que "descartar" está um pouco acima do que o fulano pode realmente fazer. Ele pode ter um desejo ardente de continuar no cargo, mas garanto que na língua original ele não se expressou de maneira tão arrogante. Enfim.
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terça-feira, junho 08, 2010
terça-feira, janeiro 13, 2009
Há poucos dias o palácio de St. James, em Londres, pediu desculpas publicamente pelos termos usados pelo príncipe Harry (outra vez...) num vídeo doméstico (que acabou vazando na internê), em que ele chama um amigo de origem paquistanesa de "paki", e um outro fulano com uma cara meio escurinha e narigão de "raghead" - um termo pejorativo para o turbante de alguns povos orientais. Parece que o tal amigo is cool with the nickname, but the damage is done.
No último domingo comentávamos, na Escola Dominical, sobre a história da Naamã, um general que sofria de lepra, cuja história é narrada no livro de Reis. O professor perguntou: "Qual era o problema de Naamã mesmo?" - ao que a audiência toda respondeu, incontinenti: "LEEEPRAAA!"
Vocês sabem que todo mundo hoje, do Ministério da Saúde às ONGs, recomenda que se chame a doença de hanseníase, não é? Pois fiquei pensando de onde teria surgido esse anacronismo instantâneo. Daí me lembrei que também sabemos conjugar os verbos na segunda pessoa, sem violar a uniformidade de tratamento, como ninguém. Infelizmente, outro anacronismo. Sabemos o que significa hissopo, e serôdia. Sabem de onde vem tudo isto? Hein? Hein? Da Bíblia que usamos, oras - a tradução "Revista e Atualizada"de João Ferreira de Almeida, que foi um linguista e filólogo incomparável, e que lemos todo dia.
Lembrei-me ainda de um querido tio, já falecido há muitos anos, que se referia aos negros como "os pretos". Era um homem bondosíssimo, de coração amável, de modo que estranhei quando o ouvi usar o termo pela primeira vez - termo um tanto pejorativo em nossos dias. Daí me lembrei que ele frequentou a escola a partir do final da década de 10 (sim, o homem era velhíssimo), e era assim que se dava nome aos negros naquela época, sem qualquer ranço depreciativo.
Ou seja: como sempre, a hipocrisia humana nos condena à ciranda das palavras. O que é norma (culta) hoje logo passa a ser usado com desdém, e a palavra passa a ser inaproveitável. Como se o problema estivesse nelas, as palavras.
No último domingo comentávamos, na Escola Dominical, sobre a história da Naamã, um general que sofria de lepra, cuja história é narrada no livro de Reis. O professor perguntou: "Qual era o problema de Naamã mesmo?" - ao que a audiência toda respondeu, incontinenti: "LEEEPRAAA!"
Vocês sabem que todo mundo hoje, do Ministério da Saúde às ONGs, recomenda que se chame a doença de hanseníase, não é? Pois fiquei pensando de onde teria surgido esse anacronismo instantâneo. Daí me lembrei que também sabemos conjugar os verbos na segunda pessoa, sem violar a uniformidade de tratamento, como ninguém. Infelizmente, outro anacronismo. Sabemos o que significa hissopo, e serôdia. Sabem de onde vem tudo isto? Hein? Hein? Da Bíblia que usamos, oras - a tradução "Revista e Atualizada"de João Ferreira de Almeida, que foi um linguista e filólogo incomparável, e que lemos todo dia.
Lembrei-me ainda de um querido tio, já falecido há muitos anos, que se referia aos negros como "os pretos". Era um homem bondosíssimo, de coração amável, de modo que estranhei quando o ouvi usar o termo pela primeira vez - termo um tanto pejorativo em nossos dias. Daí me lembrei que ele frequentou a escola a partir do final da década de 10 (sim, o homem era velhíssimo), e era assim que se dava nome aos negros naquela época, sem qualquer ranço depreciativo.
Ou seja: como sempre, a hipocrisia humana nos condena à ciranda das palavras. O que é norma (culta) hoje logo passa a ser usado com desdém, e a palavra passa a ser inaproveitável. Como se o problema estivesse nelas, as palavras.
sábado, janeiro 10, 2009
Oooolhaaaa!!! O blog Viaje na Viagem falou que a Míriam Leitão (a economista que parece a Zélia Cardoso) falou que todos os elementos da conjuntura que favorecia a apreciação do real frente ao dólar desapareceram, um a um. Ou seja, não vai voltar a baixar mesmo. E que a expectativa de muitos economistas para este ano é que ele custe R$ 2,80!! O sábio conselho do Freire (do blog de turismo) foi pra não ficar fazendo a conversão cada vez que for tomar uma Coca fora do país. Um dólar (ou euro, ou coroa, etc) é um dólar e pronto.
Sábio conselho. Pena que não serve para os cabeçudos que fizeram dívidas em dólar com pagamento das prestações ao câmbio do dia. Dou um doce pra quem adivinhar quem foi. O outro lado da moeda é que minha modesta sala de som e vídeo vai aparecer na revista, hoho.
Enquanto isso, os EUA acabaram (neste minuto) se se abster na votação pra aprovar uma resolução da ONU condenando o que seria o genocídio dos palestinos em Gaza. Perdem força política, segundo os comentaristas, que também dizem que Obama pouco poderá trazer de novidade para as negociações. Parece que o que conta mesmo é o Mubarak permitir a vigilância rigorosa da fronteira com o Egito, por onde entram armas e mantimentos. O horror, o horror.
Ei, sem querer estender muito este post, quando foi a última vez que vocês falaram (escrever não vale) a palavra "mantimentos"? Ou "provisões", ou "víveres"?
É, o português está mudando mesmo, e não é só na ortografia. Empobrecendo, if you ask me.
Sábio conselho. Pena que não serve para os cabeçudos que fizeram dívidas em dólar com pagamento das prestações ao câmbio do dia. Dou um doce pra quem adivinhar quem foi. O outro lado da moeda é que minha modesta sala de som e vídeo vai aparecer na revista, hoho.
Enquanto isso, os EUA acabaram (neste minuto) se se abster na votação pra aprovar uma resolução da ONU condenando o que seria o genocídio dos palestinos em Gaza. Perdem força política, segundo os comentaristas, que também dizem que Obama pouco poderá trazer de novidade para as negociações. Parece que o que conta mesmo é o Mubarak permitir a vigilância rigorosa da fronteira com o Egito, por onde entram armas e mantimentos. O horror, o horror.
Ei, sem querer estender muito este post, quando foi a última vez que vocês falaram (escrever não vale) a palavra "mantimentos"? Ou "provisões", ou "víveres"?
É, o português está mudando mesmo, e não é só na ortografia. Empobrecendo, if you ask me.
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