Olhaaaaa, saiu um vídeo novo da Lady Gaga, e já foi parar na capa do UOL e mais uns 3 outros sites de notícias. Zzzzzzzzzzzz. Pra falar a verdade, até que fui assistir. E adivinhem: óculos estranhos, roupas agarradas, gente também se agarrando e "se querendo" enquanto dança. Revolucionário, minha vida mudou.
Pelo menos a música é bem bacana. E engraçada também, porque apesar de se chamar "Alejandro" e repetir o nome do gajo à exaustão, também há no refrão espaço pra ela repetir toda vez os nomes "Fernando" e "Roberto".
Mudando de assunto, a muleta linguística da hora parece ser... o verbo "descartar".
O presidente da BP descarta deixar o cargo após o vazamento gigantesco. No futebol, no noticiário político, em todos os lugares as pessoas agora não mais ponderam, decidem ou recusam nada. Elas descartam e pronto. Todas, o tempo todo. Falta alguém com uma cabeça privilegiada estudar o sentido que isso tem para nós (menos pra mim, que atualmente deteeeeestoooo a palavra), o efeito que causa na cabeça do brasileiro quando ele fala ou ouve isso. É meio grosseiro e prepotente, as pessoas devem se sentir com mais poder quando a usam, ou sei lá o que. No exemplo que dei, me parece que "descartar" está um pouco acima do que o fulano pode realmente fazer. Ele pode ter um desejo ardente de continuar no cargo, mas garanto que na língua original ele não se expressou de maneira tão arrogante. Enfim.
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terça-feira, junho 08, 2010
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Óia, estou aqui no bem-bom, e não gostaria de parecer leviano - é quase um desrespeito falar o que quer que seja sobre o Haiti numa hora com esta. Mas não quero deixar de comentar o que foi dito por D. Paulo (gente, o homem tá vivo!), irmão de Dna. Zilda, que morreu no terremoto: "Foi uma morte linda". Já ouvi isso da boca de senhorinhas idosas, a quem me apressava em rotular como cabeças-ocas por dizerem algo tão... sei lá, incongruente. Sim, incongruente, pronto. Pq pra mim não existem duas palavras mais "injuntáveis" do que "morte"e "linda". Vá lá, dá até pra entender o que se quer dizer com isso, mas não conseguirei usá-las juntas, nunca. Parece-me de mau gosto demais, uma brincadeira inconveniente. Prontofalei.
Agora é a hora da gente antropocêntrica e tola, que acha que tem as rédeas deste mundo nas mãos, lembrar-se de Deus e praguejar contra ele. São a voz deste mundo, que o conduz como quer, à mercê de seus desejos, e que da maneira mais infantil, como é próprio de nossa raça, volta-se contra a figura da autoridade quando não dá certo.
Ora, o bom Deus não é o responsável pelo mal que assolou o Haiti, e não o desejou, raios. Se querem atribuir a Deus esta característica de um deus vingativo e mau, que refestelem-se então. Mas que saibam que esta é uma criação de suas cabeças, pra tentar explicar o mal que nos rodeia, e convenientemente projetar a culpa em alguém "de fora". Não tem nada a ver com a revelação do próprio Deus em Sua Palavra, nem com Sua ação em nossas vidas.
Pra essa gente recomendo ainda "Laughing With", da Regina Spektor, tão dolorosamente verdadeira e tão bonita.
Bom ano a todos.
segunda-feira, novembro 23, 2009
A gente nunca sabe quando vai tropeçar em algo bom, bah. Estou ouvindo agora um loirinho desses que parecem órfãos de uma boy band qualquer, cantando uma música chamada "It's Over". Quando comecei a ouvir a música pela primeira vez na TV eu catei o controle remoto correndo, pronto pra um zapping mortal. Que acabou não acontecendo, vejam só, porque a musga é realmente boa. Muito boa mesmo. E pasmem, o sujeitinho é o compositor, pelo que vi. Ele canta muito bem, a melodia é bonita e pungente - pun-gen-te, ouviram? - e faz um descanto lá pelo final que é inspiradíssimo. Acho que isso tudo até revela algo sobre a natureza humana - como a flor de lótus, que nasce toda pura em meio ao lodo, etc.
Ou não. É, acho que não. Ele talvez seja mesmo uma exceção fulgurante e breve no oceano de feiúra da música pop, mas não deve durar.
Patricia, hoje fiz um gofran com anis e redução de balsâmico que acho que poderia apresentar-lhe sem passar muita vergonha.
Ou não. É, acho que não. Ele talvez seja mesmo uma exceção fulgurante e breve no oceano de feiúra da música pop, mas não deve durar.
Patricia, hoje fiz um gofran com anis e redução de balsâmico que acho que poderia apresentar-lhe sem passar muita vergonha.
sábado, outubro 10, 2009
Comprei um TomTom pela internê pela metade do preço. Era uma oferta de aniversário de uma loja, mas desconfio que o preço promocional vai virar o oficial. Afinal a traquitana não merece mais do que paguei. É meio voluntariosa, trabalha a seu modo e a seu ritmo. Além de falar "saia na saída", toda solene. De resto vai tudo bem, apesar do sumiço. Estou nadando bastante, vou competir logo. Na categoria dos martelos-sem-cabo, mind you. Operando e ouvindo queixas também, como sempre.
Mas voltei mesmo pra mostrar o que achei. Espero que gostem.
segunda-feira, setembro 21, 2009
Sabe, outro dia ouvi a Mitsubishi FM quando fui a SP e fiquei triste por não a termos aqui. Achei muito bacana, tocava só coisa boa, sem se prender à mesmice do jabá de todas as outras, que nos faz uma lavagem celebral. Pois não é que descobri que a Oi (94,1 aqui) tem também uma estação beeeeeem bacana? É um refrigério, um bálsamo em meio à maluca da Celine Dion, ao Victor e Leo e às asneiras do Café Com bobagem, que insultam nossa inteligência e dão-nos um tapa na cara nas outras estações. Tomara que dure.
quarta-feira, setembro 16, 2009
Pois é, que cada um pense como quiser, mas a verdadeira sabedoria para a vida está em seguir o que o bom Deus quer para nós, conforme revelou na Bíblia. Pra minha leitura costumo usar as meditações diárias deste site. Não é o único, e podem argumentar com razão que temos sites brasileiros mais apropriados à nossa realidade, mas os gajos têm insights poderosos às vezes. E não se desviam do que está no texto bíblico, o que é mandatório. Bom mesmo é ler a Bíblia, de um jeito ou de outro. Num plano secundário, acabei de descobrir um treco útil com conselhos para o dia-a-dia, especialmente frente a desafios e novas tarefas: trata-se de um baralho de cartas do glorioso, genial e inenarrável Brian Peter George St. John le Baptiste de la Salle Eno - sim, o Brian Eno. Que tem esse nome todo desde que nasceu, vejam que coisa. O baralho usa o conceito de lateral thinking, e funciona assim, ó: qdo vc nao sabe o que fazer, tira uma carta aleatoriamente, que vai ter um conselho como "não faça nada enquanto for possível", ou "você é um engenheiro". Não é pra ser nada místico, mas sim uma maneira criativa de encarar a coisa, com a ajuda de um ponto de vista externo, que provavelmente nao lhe teria ocorrido. Fiquei fã do cara depois que trombei por aí com "The Big Ship", do Another Green World, que foi inteiro criado com a ajuda das tais cartas, pelo que ele disse. Parece que ele entrou no estúdio com a cabeça oca, e não sabia o que tocar. Se saiu algo tão sublime assim, o baralho deve ser bom. O Coldplay (aack) teve o Viva la Vida Loca produzido pelo Eno (what was he thinking?), e também usou o artifício, mas não vou encarar isto como um demérito. Colplay é irremediável.
Ah, e se quiserem comprar as cartas, tem na loja on-line do Eno no Reino Unido, e eu não vou por o link aqui porque já tem 3 hoje. Chama-se "Oblique Strategies". Chega direitinho, e rápido. Ou me paguem dez reais, que seu estimado guru tira uma carta pra vocês. Por telefone mesmo. Aceito pré-datado e vale-transporte.
quarta-feira, julho 15, 2009
Óia, tem aquela música da Kate Bush, a Running Up That Hill, do Hounds of Love, que começa com um cara gritando, em tom alarmado: "It's in the trees! It's coming!". Deve ter sido retirado de algum diálogo de filme, soa como gravação de gravação. É bem engraçado e espirituoso. Naquele outro CD em que ela está na capa com uma florzona na boca, tem uma que começa com uma baita gargalhada dela mesma, bem relaxada. Dá vontade de rir junto, e eu fico repetindo esse trecho um monte de vezes. Essa mulher sabe como começar bem uma música, raios.
Pois estou com o aviso do cara na cabeça há dias, queria saber qual associação meu inconsciente anda fazendo pra que isso aconteça.
Não me sinto particularmente alarmado, nem acho que algo ruim vá acontecer - aliás desacredito totalmente nesses avisos do "além"; o que me prende a essa frase é a maneira quase engraçada como é dita, dá até pra imaginar o cara arregalando os olhos no meio de um bosque numa cena de filme B, fazendo uma careta daquelas.
Lembro-me agora de um outro CD, velhíssimo, de quando os dinossauros andavam sobre a Terra, chamado Lionheart, em que ela homenageava uma antiga produtora inglesa de filmes de horror chamada Hammer. A capa é este portento que vocês vêem aí em cima. É de chorar, mas lembrem-se que a carreira da fulana é de cantora, e não de produtora gráfica.
Uma carreira digna de ser acompanhada, aliás - desde os tempos de "Wuthering Heights", lembram? Exceto talvez pela última obra, um CD duplo em que ela não tem muito a dizer além de narrar o (recém descoberto?) idílio doméstico; tem uma música até cujo refrão diz "washing machiiiiiiiine...", vejam só.
sábado, junho 06, 2009

Cheguei a ir longe demais em meu gosto pela música "industrial" inglesa. Foi quando comprei CDs do Nurse With Wound (do cara da foto, o Steven Stapleton) e do Scraping Foetus Off The Wheel (a.k.a. Jim Foetus, You've got Foetus In Your Breath, etc). É a coisa mais árida de que se tem notícia, não consegui chegar até o fim.
Um músico alemão (estes conseguem fazer coisas bacanas de vez em quando, como o Einstürzende Neubauten - ao contrário dos norte-americanos com seus arremedos tolos) chamado Michael Hönig disse certa vez que "repetition is the image of eternity in music", ou algo assim. Caiu como uma luva pra mim, que estava cansado de ver todo mundo me olhar torto por causa dos meus "mantras" e ficar perguntando: "mas fica só nisso?"
Apesar de ser intragável, o NWW tem um senso de humor raríssimo, com álbuns com títulos como "Alas The Madonna Does Not Function", "The Sylvie and Babs Hi-Fi Companion", "An Awkward Pause" e "Funeral Music For Perez Prado". Quase tão brilhantes como "And The Ambulance Died In His Arms", do glorioso Coil.
Pra ter uma idéia da música, olhem pros dentes dele. Pois é.
segunda-feira, abril 13, 2009
Ei, me ocorreu algo agora: quando a Bioncê fala "baby I can see your halo" it sort of backfires, porque soa como se ela estivesse falando algo como "baby I can see your ass-crack (go change)". Vejam se eu não tenho razão.
Friends with money invited me to go water-skiing with them last saturday. So I went and had a blast. Hoje meu joelho dói mas faz parte. Por falar nisso, minha treinadora insistiu há algumas semanas para que eu começasse a fazer musculação pra proteger as articulações de lesões do esporte. Estou firme fazendo 2 vezes por semana, but I just have to drag my weary body from station to station, from one torture contraption to the other.
Hoje enquanto eu me esfalfava por lá meu playerzinho de mp3 tocava uma seleção daquelas músicas que a gente só consegue ouvir de novo se baixar do LimeWire - como "I Won't Let You Down", do PhD - lembra, Patricia?
Ei, descobri uma coisa do LimeWire: tá cheio, lotado de decoys das músicas que a gente quer baixar. Elas aparecem na lista de pesquisa como se estivessem disponíveis, inclusive com um monte de gente compartilhando o arquivo. É só clicar pra aparecer a mensagem: stalled. Raios. Tentei com a música nova do La Roux outro dia e com a "Halo" da Bioncê hoje, e nada. Não me lembro de ter esses problemas antes de baixar a versão nova (5.1.2), portanto NÃO O FAÇAM. Fiquem com a velha mesmo, e se porventura conseguirem baixar a dita-cuja por favor me mandem (em 128 kbps ou mais, thank you).
Hoje enquanto eu me esfalfava por lá meu playerzinho de mp3 tocava uma seleção daquelas músicas que a gente só consegue ouvir de novo se baixar do LimeWire - como "I Won't Let You Down", do PhD - lembra, Patricia?
Ei, descobri uma coisa do LimeWire: tá cheio, lotado de decoys das músicas que a gente quer baixar. Elas aparecem na lista de pesquisa como se estivessem disponíveis, inclusive com um monte de gente compartilhando o arquivo. É só clicar pra aparecer a mensagem: stalled. Raios. Tentei com a música nova do La Roux outro dia e com a "Halo" da Bioncê hoje, e nada. Não me lembro de ter esses problemas antes de baixar a versão nova (5.1.2), portanto NÃO O FAÇAM. Fiquem com a velha mesmo, e se porventura conseguirem baixar a dita-cuja por favor me mandem (em 128 kbps ou mais, thank you).
quarta-feira, abril 01, 2009
quarta-feira, março 25, 2009
O que deu em todo mundo? A Sun resolveu atualizar o Java, e também o AVG lançou uma nova versão. E a Adobe tb, com o Flash. Tudo ao mesmo tempo. Mudou a lua? A Apple também atualizou seus cacarecos, mas isto não é novidade. Nem baixo mais as coisas deles.
A letra de música mais idiota, mais lugar-comum do mundo é a que ouvi há pouco tempo, do infame Flávio Venturini. Não desejo que ele morra, é claro, mas tenho um desejo ardente de que toda a sua obra musical desapareça da terra, junto com sua voz de menininha. Ele teve a cara-de-pau de escrever "vai dizer ao meu amor", "o mel da tua flor" e "o que faz o beija flor ter vontade de voar? " numa música só. Fora aquela outra em que diz "todo o azul do mar", etc. Raios duplos. Vá ser raso assim lá na terra dele. Enquanto isso a E. Dickinson, o W. Whitman, o F. Pessoa e o W. Yeats vão sumindo da memória de todos. Este mundo está acabando.
Vou assistir Vicky Cristina Barcelona agora, zzzzzzzzz. Wish me luck.
A letra de música mais idiota, mais lugar-comum do mundo é a que ouvi há pouco tempo, do infame Flávio Venturini. Não desejo que ele morra, é claro, mas tenho um desejo ardente de que toda a sua obra musical desapareça da terra, junto com sua voz de menininha. Ele teve a cara-de-pau de escrever "vai dizer ao meu amor", "o mel da tua flor" e "o que faz o beija flor ter vontade de voar? " numa música só. Fora aquela outra em que diz "todo o azul do mar", etc. Raios duplos. Vá ser raso assim lá na terra dele. Enquanto isso a E. Dickinson, o W. Whitman, o F. Pessoa e o W. Yeats vão sumindo da memória de todos. Este mundo está acabando.
Vou assistir Vicky Cristina Barcelona agora, zzzzzzzzz. Wish me luck.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
At first it feels like Ginger-Ale in your skull - Tony Soprano.Faço minhas as suas palavras pra descrever como me senti hoje. Como às vezes, numa prova de triatlo, temos que correr próximo do meio-dia, é importante treinar sob o sol de vez em quando. Tive a brilhante idéia de correr hoje no asfalto, às 11:45, debaixo daquele calor úmido de 35-36 graus. Saí do corpo, e quase fiquei no acostamento mesmo. Passei fator mas queimei as costas, um cachorro saiu correndo atrás de mim e fiquei me sentindo estranho até acabar o dia.
Tudo isso ouvindo o Marcão - o que suspeito que só contribuiu pra f**er tudo.
Ei, comprei um leitor de Blu-Ray. Pus o DVD de Big Trouble in Little China (que comprei nos EUA) pra assistir e NAAADAA. Sabem aquela manobra que executamos pra desbloquear os aparelhos, permitindo que toquem discos de todas as regiões, pressionando uma série de números no controle remoto? Pois é, pra player de Blu-Ray não existe isso ainda. Now I know.
domingo, fevereiro 15, 2009
O imbroglio da advogada Paula Oliveira na Suíça está cada vez mais cavernoso. Agora o pai, que está lá com ela, diz que "em qualquer circunstância [i.e., mesmo que os ferimentos sejam auto-infligidos] minha filha é vítima". A família já desistiu de tentar mostrar as provas de sua gravidez. A imprensa daquele paiseco (ops, escapou) não esperou o final da história e já caiu matando. Teve a CARA DE PAU de dizer que nós é que somos xenófobos, que a imprensa daqui costumeiramente destrói vidas de pessoas com notícias falsas, e por aí vai. Acredito que sejamos mesmo muito mais xenófobos do que gostaríamos de admitir (admito minha parte da culpa), mas NINGUÉM tira o cetro daquela gente louca. Que tem o rei na barriga. Mesmo sob a suspeita de além de tudo possuir a maior rede de lavagem de dinheiro institucionalizada do mundo civilizado - com especial destaque para o dinheiro nazista.
Pra tornar o post mais leve, ouçam isto. É da autoria de um moleque norte-americano, e é bem mainstream. Mas é bonita, e tem alumas características definitivamente redentoras (em contraste com os vocais "sofridos" e remontados ao estilo black, o ti-ti-ri-ti-ti à la Timbaland, etc): a própria melodia, o que parece ser um banjo distorcido no arranjo, o ar meio urgente com que ele canta, e um coral de vozes sintéticas ao fundo, graves e solenes. Estes elementos causam o que acabei descobrindo que é o que mais me atrai em qualquer música: um ar de enigma, de estranheza, que nos faz pensar: o que este arranjo/instrumento/letra está fazendo aí? No que ele estava pensando? Como quando o Bowie enrola a língua naquele pequeno episódio no meio de "Ashes to Ashes", ou como quando o Mark Hollis, do Talk Talk, canta "Write across my name/such a shame".
Pra tornar o post mais leve, ouçam isto. É da autoria de um moleque norte-americano, e é bem mainstream. Mas é bonita, e tem alumas características definitivamente redentoras (em contraste com os vocais "sofridos" e remontados ao estilo black, o ti-ti-ri-ti-ti à la Timbaland, etc): a própria melodia, o que parece ser um banjo distorcido no arranjo, o ar meio urgente com que ele canta, e um coral de vozes sintéticas ao fundo, graves e solenes. Estes elementos causam o que acabei descobrindo que é o que mais me atrai em qualquer música: um ar de enigma, de estranheza, que nos faz pensar: o que este arranjo/instrumento/letra está fazendo aí? No que ele estava pensando? Como quando o Bowie enrola a língua naquele pequeno episódio no meio de "Ashes to Ashes", ou como quando o Mark Hollis, do Talk Talk, canta "Write across my name/such a shame".
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Quem souber a diferença entre o Luiz Melodia e o (finado) Itamar Assumpção ganha um beijo na boca. Eles já se divertiram com a confusão, e o Itamar tem uma música muito engraçada cujo refrão diz: "Ele é cover dele! Ele é cover dele!". Ponho mais duas pessoas na confusão agora: a Nina Simone, que pra falar a verdade não sei que cara tem (tinha) e o Barry White (aquele negão que canta fininho versões cafa de hits dos outros). Ouvi hoje Here Comes The Sun (dos Beatles) na voz da Simone e poderia JURAR que era o White. Só soube a verdade depois quando o locutor disse os nomes. Por isso, aliás, é que acho que deveríamos parar de respirar até acabarem com essa mania tonta no rádio de enfiarem uma música atrás da outra sem avisar quem é.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Não dá, viu? O Brandon Flowers tem um tenorzão daqueles, na melhor tradição do Fat Bob, do Cure, ou do Mackenzie, dos Associates, de quem já falei aqui. Acontece que a voz do fulano (e dos outros exemplos) você pode contar como mais um instrumento, de tão bacana que são o timbre, a musicalidade. Lembram-se dele cantando "Can you reaaaaaad my miiiiiiiind?" Pois é.Qual é o problema então? É que o último single que ouvi deles, "Spaceman", é uma música maravilhosa, um clássico instantâneo, uma aula de pop para todos, do Oiapoque ao Chuí - acompanhado do vídeo mais horrendo que já foi feito, que faria os nerds do R.E.M. corar de vergonha. Como é que pode, hein?
Ei, vocês ouviram falar do livro daquela neuro-anatomista de Harvard que teve um derrame e - to quote herself - curou-se a si mesma porque sabia como o célebro funciona, porque era treinada pra conhecer os mecanismos neurais, etc? Tive a mesma reação, quando ouvi isso, que tive quando ouvi o treinador do Lance Armstrong (e o próprio corroborando a história) dizer que ele se curou do câncer (entre outros motivos) por ter tanta determinação e tal. Será que essa gente estúpida e arrogante não percebe que pela graça do bom Deus suas doenças pararam milímetros antes de atingirem outros tecidos mais importantes, de manera diferente de milhares de outros que sucumbiram NÃO por fracasso pessoal, mas porque a vida é assim mesmo? Usei aquela pulseirinha idiota do Armstrong pra prender uma torneira que estava vazando, raios.
quarta-feira, janeiro 21, 2009

Vou morrer sem entender os Bee Gees. "Spirits Having Flown" é a música mais enigmática que há. É de embatucar, deixa a gente se perguntando como é que eles juntaram tudo aquilo: a flauta, a melodia tããão inspirada e a letra do outro mundo. Merecia ganhar um prêmio qualquer. Isto é, se a gente não levar em conta a sua marca registrada, o rolo compressor que tudo nivela ao seu padrão: os inexplicáveis falsetes. Lembro-me que ouvi falar deles, e de sua fama, antes de ouvi-los cantar. Quando tive a chance, quase caí sentado. Não acreditava que all that fuss could be about such weird voices. Fiquei revoltado, cresci assim e pra falar a verdade ainda não passou. Agorinha mesmo eles cantavam, naquela voz de gralha, "I am your hurricane..."!!! Mais pra um ventinho fresco, eu diria. Faz-me lembrar aquele outro fulano que tinha uma voz ainda mais fruta, que cantava "I am the man... who will fight for your honor". Ha.
Quer dar chilique? Pois que assuma, e cante como o Billy MacKenzie, que uiva em "The Secret Life of Arabia", do Bowie, como se quisesse libertar a mulher que tem presa dentro de si. O resultado é impagável. É engraçadíssimo, mas não é uma piada tola; é boa música. E não, não vou mandar mais arquivo nenhum, seus ingratos. Se alguém quiser vai ter que pedir.
quinta-feira, outubro 30, 2008
O problema é saber quando parar, porque como já disse aqui há amplificadores, caixas acústicas e CDs players de dezenas de milhares de reais cada um, e fica-se perdido no meio de tanta marca e modelo. Já estou careca de tanto ouvir música, e ainda fica uma pontinha de dúvida: será que estou levando o melhor para o meu orçamento? Nesse meio todo mundo a-do-ra ter uma opinião diferente, e são todos muito categóricos e cheios de razão. Eu concordo com tudo e acho tudo lindo, torço pra estar fazendo o melhor.
sábado, outubro 18, 2008
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